A liga começou e com ela começaram as polémicas.
Polémicas que, de resto, já se faziam adivinhar a julgar pelos balanços de arbitragem feitos de cinco em cinco jornadas na época passada, a pedido dos suspeitos do costume.
A polémica propriamente dita começou na ressaca da primeira jornada do campeonato, com queixas do Sporting pela actuação de Carlos Xistra em Alvalade. O Sporting sentiu-se lesado pelo trabalho deste senhor (tenho a minha opinião, mas não é para aqui chamada) e decidiu mostrar o seu descontentamento junto da opinião pública.
O seu presidente, Godinho Lopes, tornou então público um "manifesto", chamemos-lhe assim, em que propunha medidas de fundo para que se passasse à profissionalização dos árbitros, que já se auto-intitulam de "profissionais".
Ora "profissional" também significa aceitar tanto louros como criticas, mas sobretudo "profissional" significa não se envolver em polémicas e fazer o trabalho para o qual se é pago (aqui, bem pago).
Acharam portanto os senhores árbitros que eram intocáveis, e sentiram-se bastante feridos no seu orgulho, num país sobejamente conhecido pelos escândalos de arbitragem. Vai daí, todos se recusaram arbitrar um jogo do Sporting.
Ora, falando curto e grosso, QUEM É QUE ESTES GAJOS PENSAM QUE SÃO?!?! São pagos, e bem pagos, ACIMA DO SALÁRIO MÍNIMO POR CADA JOGO da primeira liga que apitam, e não aceitam uma critica?! Ainda por cima quando essa critica está fundamentada e pretende torna-los efectivamente profissionais, portanto não tendo que desempenhar outro cargo que não o de árbitro?! E ninguém assegura a arbitragem de um jogo?
Imediatamente me lembrei da regra dos serviços mínimos. Se alguém faz greve, os serviços mínimos têm que estar assegurados para que nenhum sector da sociedade pare completamente.
Ora, até à hora do jogo não havia árbitro, apesar do Sporting ter assegurado uma equipa de arbitragem que viajou na comitiva leonina até Aveiro, e de o próprio Beira-Mar ter também uma equipa de prevenção no estádio.
As más línguas apressaram-se a cuspir fogo, "que o Sporting leva os árbitros no autocarro", "nem com árbitro escolhido ganham", e não percebem o que está verdadeiramente em causa
- a remodelação de um sector vital para o futebol português.
Efectivamente, o Sporting não ganhou. Mas não foi por isso que o árbitro foi crucificado - antes pelo contrário, elogiado pelos técnicos de ambas as equipas. Um pequeno pormenor, era um árbitro da distrital, que nem subsidio de deslocação ganhou, nem hotel teve, nem experiência num jogo de primeira liga. E não tinha os comunicadores que os iluminados da UEFA tanto defendiam como a grande transformação no futebol.
Este árbitro foi grande, e ensinou algo aos que se julgam vários níveis acima dele.
Enquanto árbitro, que até só ganha meia dúzia de tostões, não se sentiu ofendido, e foi mostrar a diferença entre o amadorismo profissional e o profissionalismo amador.