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sexta-feira, 11 de março de 2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Lado a Lado...

Caminhamos lado a lado…
No entanto eu caminho a teu lado, e por vezes vamos tão rápido que nem consigo olhar para o lado para te ver.
Os nossos caminhos são por vezes tão rápidos, são por vezes tão íngremes…
Desculpa amor, por vezes no meio desta correria não olho para ti como devia, não reparo na madeixa que cai sobre o teu olho…
Por vezes os nossos caminhos têm armadilhas, só quero que saibas que quando elas surgirem sente a minha mão, sente a minha mão porque antes de elas aparecerem, antes de as veres, já estarás segura por mim.
É por isso que aqui estou, é por isto que vivo!
Desculpa amor se por vezes o meu passo é muito acelerado, mas quero saibas que caminhas ao meu lado e como tal poderás sempre saltar precipícios de olhos fechados.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Amigos



Só queria dizer que no sábado quando me deitei pensei na sorte que tenho em viver noites assim, com amigos assim! Obrigado por me aturarem!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Vai

Se tu gostas mesmo dela leva-a a um concerto!
Isso do gosto de ti, és linda e assim, está bem! Mas se ela é especial, cola-a nas grades e deixa aquele som ao vivo, aquela performance contagiante ferrar em vocês um amor quente e intenso como a música que ouvem!
Intenso como tudo o que vale a pena neste mundo!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Camané - A Guerra das Rosas



Muito bom. Excelente letra, tão portuguesa, tão bairrista...

sábado, 20 de novembro de 2010

Closer



Nunca num filme se levou tão à pele os sentimentos, as emoções, a posse...No fundo o mundo complexo que somos nós!!!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Irmãs

Uma enorme dor de cabeça era sua companhia há vários dias.
Desde cedo conhecera a mão cruel da vida, a irmã mais velha fora violada e morta, os pais, esses, ela nunca vira, restava-lhe apenas a irmãzita mais nova.
Atirou o copo contra a parede, pintou os lábios e saiu, afinal era a vida que tinha, já tinha tentado fugir-lhe mas ela sabia bem, não se pode escapar de um berço arruinado, pode-se fingir por um pouco, tentar esquecer, mas lá no fundo continuamos a ser lixo como se tivéssemos uma doença sem cura.
Eram onze da noite, Flora deslizava por um passeio sujo trocando olhares com todos. O seu andar rebolado chamava atenção, ela era apenas pernas…
Parou um carro, um homem bonito com uma camisa um pouco desabotoada espreitou.
Ela aproximou-se, sorriu, e contrariamente ao seu comportamento habitual entrou antes de perguntar o que quer que fosse.
Ele engolia-a com os olhos, nervoso, parecia escolher palavras.
Flora, tranquila, saboreava o momento, inclinou-se para ele, trincou-lhe a orelha permitindo-lhe observar umas maminhas pequeninas.
Ele ia falar mas ela beijou-o imediatamente, introduziu a sua língua bem fundo, propositadamente fez durar aquele beijo. Ele era lindo…
Em seguida, sem querer, viu o seu reflexo no espelho retrovisor. Viu uma miúda demasiado pintada, uns olhos demasiado tristes, um cabelo demasiado vulgar…
Empurrou o rapaz, bateu com a porta e saiu!
Entrou em casa a correr, a sua colega de quarto chupava um gasto quarentão no sofá da sala, passou por eles com a maior das naturalidades entrando no seu quarto.
Podia agora ouvir a sua colega representar o teatro de sempre, o gordo seboso penetrava aquela miúda de vinte anos pensando que a enchia de prazer, como são ridículos os homens!
Despiu-se, tomou banho, estava agora nua frente ao espelho, contemplava-se.
Era bela, ela sabia-o tão bem…
Entrou na sala, rapidamente aquele homem asqueroso olhou para ela deslumbrado, Flora avançou como numa passerelle, de frente para ele abriu as pernas e sentou-se rapidamente, com a mão direita introduziu aquele membro meio mole na sua gruta ainda seca.
Em seguida beijou a sua amiga que procurava enroscar-se neles.
Começaram uma dança a três, o homem gemia de prazer, estava totalmente fora de si, não queria acreditar no que lhe estava acontecer…
Não demorou muito para que aquele corpo flácido rebenta-se numa fraca ejaculação de prazer.
Os pássaros pararam de cantar lá fora, por momentos pareceu não haver pessoas na rua, o mundo parecia ter congelado por um milésimo de segundo.
Em menos de nada um pequeno punhal perfurou um pescoço, em menos de nada duas jovens loiras e belas ficaram respingadas de sangue, em menos de nada um corpo gordo inerte caiu no chão.
Em menos de nada uma violação foi vingada, em menos de nada duas mulheres que se conheciam desde sempre poderiam dormir em paz.

sábado, 9 de outubro de 2010

Resposta

Vou-te explicar.
Corro, corro vorazmente.
Ninguém percebe porque ninguém quer perceber. Não, não interessa se é comigo que danças, não interessa se é comigo que dormes, não é nada disso.
Não te estou a falar de posse, não vês? Eu não sou o carrasco, eu não sou o patrão, o dono!
Eu sou a puta da humildade.
Eu sou a pureza feita mulher, não quero nada. Tudo o que vier até mim terá de ser dado, terá que ser oferecido. Sim falo do teu amor, nada mais.
Quem me oferecer o maior dos presentes estará a dar-mo mas no entanto não mo dá porque quer mas sim porque se sente obrigado a fazê-lo. Sente-se obrigado a fazê-lo porque também ele ama, porque também ele é escravo. E como escravo que é quer dar sem pensar em receber.
Assim como eu.
Mas no entanto tu não lês, és analfabeto, és uma besta.
Tocas-me mas os teus dedos nada compreendem, partilhas comigo o vinho mas não reparas que as minhas faces estão rosadas, reviro os olhos quando vais fundo dentro de mim mas tu apenas arquejas de prazer.
Danças uma valsa contigo mesmo há vários anos. Sim amigo, é verdade, acorda! Nunca estiveste acompanhado, nunca cantaste partilha, nasceste para caminhar sozinho.
Tu já estas apaixonado, não sobra lugar para mim, há muitos anos que amas outra pessoa, uma pessoa que te toma por completo não deixando espaço para ninguém!
Essa pessoa és tu!
Por isso continua essa tua caminhada, espero que demores a encontrar o lago, porque quando o vires irás chorar lágrimas de sangue e nessa altura vais compreender tudo mas aí será tarde demais…
Toma esta foto minha para o resto da tua aventura, guarda-a bem no bolso para quando encontrares o lago, e podes ter a certeza que isso vai acontecer, vais ver nele o teu reflexo, vais ver nele o teu feio retrato, as tuas rugas…
Primeiro chegará a tristeza que te irá consumir como um vulcão, depois subtilmente vai chegar a loucura, nesse momento estarás perdido.
Quando o primeiro laivo de suicídio chegar há tua mente observa a minha foto, mergulha fundo nos meus olhos azuis e contempla…
Desfruta de tudo o que perdeste, desfruta de tudo o que podias ter tido, observa bem o teu amigo a passar na rua pois ele é dono de uma felicidade que te pertence.
Ele vai passar por ti e tu aí farrapo de homem vais ver que ele sorri. É nesse momento que saberás que chegou a hora de pores um fim há tua pobre existência.

Beijo de ódio.

sábado, 2 de outubro de 2010

Júlia

Tinha um olho de vidro pude vê-lo mal a cumprimentei. Procurei disfarçar o meu espanto, ela era deslumbrante, mesmo naquela sala vermelha com vários sofás de cabedal negro ela era deslumbrante!
Vestia apenas uma camisa de dormir já um tanto rota. Por baixo distinguia-se facilmente um peito redondo e farto.
Tinha um ar tão sujo, peguei-lhe na mão e beijei-lhe os dedos.
Olhei a minha volta, que nojo! Gente imunda agarrava-se a mulheres também imundas, o ar estava carregado de uma lascívia que contaminava todos.
Duas mulheres gordas ocupavam o sofá do fundo, fumavam observando a clientela, mostravam orgulhosamente grandes seios já descaídos.
É claro que todos reparavam em mim o meu fato de fino corte não se encaixava no contexto, aliás eu não em encaixava no contexto.
Júlia olhava para mim com ternura, tinha as pernas cruzadas, duas pernas longas e pálidas que quase tocavam nas minhas.
Nos seus 42 anos Júlia era uma mulher cansada de olhar triste, muito triste!
Tinham passado 27 anos desde que tínhamos estado juntos pela última vez. Ela não me reconhecia, claro que não, eu era um miúdo naquela altura.
Eu nunca me esqueci dela, era tão bela…
Desde esse dia corri que nem louco, trabalhei que nem escravo, juntei dinheiro com avareza. Enganei, roubei, mas nunca matei! Negociei todo o tipo de mercadoria, lidei com todo o tipo de porcaria, não ganhei amor a ninguém, apenas lutei e principalmente suei.
Suei que nem louco!
Primeiro veio o respeito, e depois chegou o dinheiro, muito dinheiro!
Hoje estou aqui, finalmente estou aqui!
Tinha um ar tão sujo, peguei-lhe na mão e beijei-lhe os dedos.
Mãe estou aqui!
Amo-te tanto, hoje tudo muda para ti, sou o teu filho, lutei contra os ódios do mundo, fiz-me pedra para te salvar!
Vamos viver junto o tempo que nos resta, torna-me humano outra vez.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Virgem Suta - Linhas Cruzadas

Eu sei que a música é sobejamente vossa conhecida, mas eu queria que reparassem bem na letra… Fogo está demais! Eu nunca tinha reparado, mas a letra está fortíssima, quem de nós nunca se viu nestas circunstâncias….

…”mas porque raio hei-de evitar, se esse teu ar me trouxe ao sangue calor.”

Abraços!!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Neve.

Chego cansado perto do riacho.
Ajoelho-me, lavo a cara destruindo o meu reflexo, também eu me sinto destruído.
Deixei tudo para trás, caminho há mais de sete dias, mais sete estou na fronteira…
Quando sinto vontade de desistir, quando o frio é tanto que me impede de pensar, quando a fome me deixa tonto, é o calor da tua cama que me faz caminhar, é a esperança de um dia melhor para nós que me enrijece os músculos.
Parece-me por vezes que falas comigo, consigo ouvir a tua voz na minha cabeça, nem sempre percebo o que dizes, mas sei que me estás a elogiar.
Quando procuro dormir para esquecer a fome costumo pensar na tua cara, concentro-me na perfeição dos teus lábios, nos contornos do teu nariz, na pureza dos teus olhos, sorrio sabendo que és tudo o que quero.
Ontem de noite ouvi um tiro, devia ser um qualquer caçador, o meu sangue gelou, pensei que não mais te iria ver, depois fiquei em paz, senti dentro de mim que tomei a decisão certa, a guerra dos outros não era para mim…
A minha guerra era outra, a minha guerra era criar o nosso filho com o amor que temos e com as artes do mundo.
Agora não o posso ver a razão da minha vida, não o posso abraçar, quantos anos passarão sem o ver crescer…
Quando ainda as nossas mãos caminhavam juntas no jardim, quando a minha única preocupação era dizer que te amo no dia seguinte, um homem no café perguntou-me o que eu pensava de ir para a guerra.
Eu disse-lhe que um homem que apenas procura amar e procriar nada faz na guerra.
Um homem que todos os dias dança com os pássaros, um homem que cada vez que beija o filho chora, um homem que esquece o tempo quando contempla a sua mulher nua nada faz no teatro do horror, um homem assim sabe bem o que tem de fazer.
Por isso caminho sem parar, alguns dirão falta de coragem, eu digo que ninguém me manda ceifar o meu irmão, certos caminhos um homem só os deve percorrer se realmente o quiser.
Chove agora intensamente, já não tenho água, tenho bebido uma qualquer nos riachos, sinto que não falta muito para chegar.
Esta manhã vi um homem morto no pinhal, talvez mais um que tentou a sua sorte.
Na terra dele irão dizer que desertou que foi um cobarde, eu escrevi na pedra que este homem para não matar, morreu!
Também eu, as vezes tenho medo, tenho medo de não te beijar jamais, mas sei algo que me protege e me dá força para continuar, tu caminhas comigo.
E quando as minhas pernas se recusarem a caminhar, caminharei com as tuas, e se um dia as nossas pernas não conseguirem andar mais tal seja o cansaço, então nessa altura caminharei com as pernas do nosso filho, e essas finas pernas escalam montanhas, atravessam rios, correm dias seguidos se assim tiver de ser.
Como tal, sinto no meu peito que não tarda estarei na fronteira, talvez esta vida ainda nos reserve um belo jantar na nossa casa, onde servirás paz e amor num ambiente de liberdade…

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Jorge Palma - A Gente Vai Continuar

Porque esta é a música mais sábia que já ouvi.



Até sexta!